Você já quis dizer “não”, mas acabou dizendo “sim”?

Talvez tenha aceitado um convite quando preferia ficar em casa, assumido uma responsabilidade que não era sua ou concordado com algo que não fazia sentido para você. Depois, pode ter sentido cansaço, irritação, culpa ou até arrependimento.

Para algumas pessoas, dizer “não” parece simples. Para outras, pode despertar uma sensação de desconforto muito grande.

Mas por que isso acontece?

Dizer não pode ser mais difícil do que parece

Aprendemos, ao longo da vida, diferentes maneiras de nos relacionarmos com as pessoas. A família, a escola, os relacionamentos e outras experiências contribuem para a forma como entendemos nossas necessidades e também as necessidades dos outros.

Algumas pessoas aprendem, por exemplo, que precisam ser agradáveis, disponíveis ou cuidadosas para serem aceitas ou valorizadas.

Com o tempo, colocar as próprias necessidades em segundo plano pode se tornar um padrão.

Assim, dizer “não” pode deixar de ser apenas uma escolha e passar a ser acompanhado por pensamentos como:

“Será que vão ficar chateados comigo?”

“Vão pensar que sou egoísta?”

“E se essa pessoa se afastar?”

“Eu deveria conseguir ajudar.”

“Talvez eu esteja exagerando.”

Quando esses pensamentos aparecem, muitas vezes a pessoa acaba dizendo “sim”, mesmo quando gostaria de dizer “não”.

A culpa pode aparecer quando você começa a se colocar em primeiro lugar

Uma situação bastante comum é perceber que estabelecer limites gera culpa.

Você pode saber racionalmente que não é obrigada a aceitar tudo, mas, ainda assim, sentir que está fazendo algo errado ao priorizar suas próprias necessidades.

É importante lembrar que ter limites não significa deixar de se importar com os outros.

Você pode amar alguém e ainda assim não estar disponível o tempo todo.

Pode querer ajudar e reconhecer que naquele momento não consegue.

Pode discordar de alguém sem precisar romper a relação.

Pode escolher algo diferente do que esperam de você.

Estabelecer limites também é uma forma de reconhecer que suas necessidades existem e merecem espaço.

E quando o medo de decepcionar é muito grande?

Para algumas pessoas, a dificuldade de dizer não está relacionada ao medo de decepcionar, rejeitar ou perder o vínculo com alguém.

Nesses casos, pode existir uma preocupação constante em manter o outro satisfeito.

A pessoa pode acabar se perguntando mais sobre o que o outro vai sentir do que sobre aquilo que ela própria deseja.

Isso pode acontecer nos relacionamentos amorosos, na família, nas amizades e também no trabalho.

Quando esse padrão se repete, é possível que a pessoa tenha dificuldade de perceber onde termina a responsabilidade pelo outro e começa a responsabilidade por si mesma.

Por que é importante olhar para a sua história?

A dificuldade de estabelecer limites não surge necessariamente de uma única situação.

Ela pode estar relacionada a diferentes experiências ao longo da vida e à maneira como você aprendeu a se relacionar.

Por isso, simplesmente dizer “aprenda a dizer não” pode não ser suficiente.

Talvez seja necessário compreender:

  • O que você sente quando precisa contrariar alguém?

  • O que imagina que pode acontecer se disser não?

  • Você se sente responsável pelos sentimentos das outras pessoas?

  • Tem medo de ser rejeitada ou abandonada?

  • Sente que precisa agradar para ser valorizada?

  • Consegue reconhecer aquilo que realmente deseja?

  • Você costuma respeitar seus próprios limites?

Essas perguntas não têm respostas iguais para todas as pessoas.

Cada história é única.

Aprender a estabelecer limites é também aprender sobre si

Construir limites mais saudáveis não significa simplesmente começar a recusar tudo.

Significa desenvolver uma relação mais consciente com suas próprias necessidades, desejos, possibilidades e responsabilidades.

À medida que você passa a compreender melhor o que sente e o que deseja, pode se tornar mais possível fazer escolhas sem depender exclusivamente da aprovação dos outros.

Isso não significa que a culpa desaparecerá imediatamente ou que será fácil dizer não em todas as situações.

Pode ser um processo de amadurecimento.

A psicoterapia pode ajudar nesse processo

A psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender melhor os sentimentos, conflitos e padrões que aparecem nas relações.

Na abordagem psicodinâmica, a história de vida da pessoa é considerada importante para compreender experiências e formas de se relacionar que podem continuar presentes no momento atual.

Ao olhar para esses padrões com mais consciência, torna-se possível construir novas formas de lidar com as próprias necessidades, limites e relacionamentos.

Não se trata de aprender frases prontas para dizer “não”.

Trata-se de compreender por que dizer não é tão difícil para você.

E, a partir dessa compreensão, encontrar maneiras mais conscientes de fazer escolhas que também considerem você.

Talvez a pergunta não seja apenas “como dizer não?”

Talvez seja:

“O que eu temo que aconteça quando escolho dizer não?”

Essa pergunta pode abrir espaço para uma compreensão mais profunda sobre sua relação consigo mesma e com as outras pessoas.

Cuidar de si não significa deixar de considerar os outros.

Significa também reconhecer que você faz parte das relações que constrói e que suas necessidades também importam.

Sou Sileide Celestina Pereira, psicóloga, e estou aqui para te acompanhar neste processo.

Seja bem vindo e bem vinda!!!